“Católico adora santo?” A pergunta volta sempre, e a resposta da Igreja é antiga e precisa: não. O que se deve a Deus e o que se presta aos santos não diferem apenas em grau — diferem em natureza. Desde os primeiros séculos, a tradição guarda quatro nomes para essa honra: latria, hiperdulia, protodulia e dulia.
Ao Senhor teu Deus adorarás, só a ele prestarás culto.Lc 4, 8
Latria — a adoração, só de Deus
Latria é o culto supremo, devido unicamente a Deus: Pai, Filho e Espírito Santo. O Catecismo a chama de primeiro ato da virtude da religião — adorar é reconhecer o Criador e Senhor de tudo o que existe. Por isso nenhuma criatura, nem o maior dos santos, nem os anjos, pode recebê-la. Oferecê-la a outro que não Deus tem um nome: idolatria.
Dulia — a veneração dos santos
Dulia é a honra prestada aos santos e aos anjos. Não é adoração, mas reconhecimento: neles resplandece a graça de Deus, e a sua vida nos é exemplo e companhia. Santo Tomás de Aquino fixou a distinção — ao santo se deve respeito e imitação; a Deus, adoração. Quando pedimos a intercessão de um santo, não o tomamos por deus; pedimos que um amigo de Deus reze conosco.
Hiperdulia — a veneração singular de Maria
Entre todas as criaturas, uma ocupa lugar à parte. A Virgem Maria, por ser Mãe de Deus, recebe a hiperdulia: veneração superior à de todos os santos, mas — e isto é essencial — infinitamente inferior à adoração devida a Deus. O Catecismo ensina que o culto a Maria difere essencialmente da adoração prestada à Trindade. Honrar a Mãe é, sempre, honrar o Filho.
Protodulia — a primazia de São José
Depois de Maria, a tradição teológica reserva a São José um lugar próprio, que muitos chamam de protodulia, a primeira entre as venerações dos santos. Guardião da Sagrada Família e esposo da Mãe de Deus, foi proclamado por Pio IX, em 1870, Padroeiro da Igreja universal. Sua honra é a maior entre os santos — e permanece abaixo da que se rende a Maria.
Uma só direção
Esses graus não são uma escada de rivais, mas de amor. Toda veneração prestada a um santo sobe e termina em Deus, fonte de toda santidade; não rouba nada à adoração, antes a favorece. Por isso o católico se ajoelha diante de uma imagem sem adorá-la, como quem guarda o retrato de quem ama.
No Sagrada Tradição, essa distinção está sempre pressuposta: ao rezar com o santo do dia, ao percorrer o Catecismo ou a Catena dos Padres, adora-se a um só Senhor e honra-se a quem a Ele foi fiel. É justamente por adorar só a Deus que a Igreja pode amar tanto os seus santos.